ROTEIROS EXPERIMENTAIS PARA AUDIODESCRIÇÃO NO ENSINO DE QUÍMICA: CONTRIBUIÇÕES SEMIÓTICAS

Claudio Roberto Machado Benite, Amanda Alves Arrais de Morais, Gustavo Nobre Vargas, Fernanda Araújo França, Anna Maria Canavarro Benite

Resumo


A acessibilidade visa igualdade dos diferentes sujeitos na sociedade, compreendendo que pessoas com características variadas demandam intervenções conforme suas especificidades. Neste estudo evidenciamos contribuições semióticas de elementos essenciais à elaboração de roteiros acessíveis que possam ser usados como instrumento de mediação para audiodescrição (AD), de aulas experimentais no ensino de Química visando a participação autônoma de alunos com deficiência visual (DV), com o auxílio de tecnologia assistiva. Com elementos da pesquisa-ação, as aulas experimentais de Química propostas pelo Laboratório de Pesquisas em Educação Química e Inclusão (LPEQI) em parceira com uma instituição estadual de apoio a pessoas com deficiência visual foram realizadas em ciclos-espirais de quatro etapas: planejamento, ação e observação, reflexão e replanejamento; sendo essas ministradas com a participação dos DV. Nossos resultados sinalizam que a AD acompanhada de roteiros experimentais impressos em Braille e em fonte de letra aumentada podem promover participações mais autônomas desses alunos em atividades até então excludentes para esse público. Concluímos pela Semiótica de Peirce como os DV podem reconhecer e interpretar as características instrumentais e as particularidades procedimentais dos experimentos mediados pela AD a partir das inferências mentais que aparecem inicialmente como qualidade, depois como relação com algo já conhecido e, por fim, como interpretação por meio dos signos que compõem o pensamento e que são organizados pela linguagem.


Texto completo:

PDF

Referências


ALVES, S. F.; TEIXEIRA, C. R. Audiodescrição para pessoas com deficiência visual: princípios sociais, técnicos e estéticos. In: BESSA, C.R.; BELL-SANTOS, C.; LAMBERTI, F. (org). Tradução em Contextos Especializados. Brasília: Verdana, 2015.

ALVES, S. F.; TELES, V. C. Audiodescrição simultânea: propostas metodológicas e práticas. Trabalhos em Linguística Aplicada, v. 56, n. 2, p. 417-441, 2017.

ALVES, S. F.; TELES, V. C.; PEREIRA, T. V. Propostas para um modelo brasileiro de audiodescrição para deficientes visuais. Revista Tradução & Comunicação, v. 22, p. 9-29, 2011.

ARAÚJO, V. L. S. A formação de audiodescritores no Ceará e em Minas Gerais: Uma proposta baseada em pesquisa acadêmica. In: MOTTA, L. M. V. M.; ROMEU FILHO, P. Audiodescrição: Transformando Imagens em Palavras. Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com deficiência. Governo do Estado de São Paulo, p. 93-105, 2010.

BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

______. (VOLOSHINOV, V. N.). Marxismo e filosofia da linguagem: Problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem. Trad. Michel Lahud e Yara Frateschi Vieira. São Paulo: Hucitec, 2006.

BARRAGA, N. Disminuidos visuales y aprendizaje: enfoque evolutivo. Madrid, Organización Nacional de Ciegos de Espana, 1985.

BENITE, C. R. M.; BENITE, A. M. C.; BONOMO, F. A. F.; VARGAS, G. N.; ARAÚJO, R. J. S; ALVES, D. R. Observação inclusiva: o uso da tecnologia assistiva na experimentação no ensino de química. Experiências em Ensino de Ciências, v. 12, n. 2, p. 94-103, 2017a.

______. A experimentação no Ensino de Química para deficientes visuais com o uso de tecnologia assistiva: o termômetro vocalizado. Química Nova na Escola, v. 39, n. 3, p. 245-249, 2017b.

BRASIL. Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Brasília, DF, 19 dez. 2000. Disponível em:< http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l10098.htm> Acesso em: 8 jul. 2022.

______. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF,6 jul. 2015. Disponível: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm> Acesso em: 08 jul. 2022.

CARDOSO, A. C. O.; BARROS, H. N. S.; OLIVEIRA, D. A. A. S.; MESSEDER, J. C. A química da Slime: implicações e perspectivas no Ensino Fundamental. Educação Química em Punto de Vista, v. 3, n. 2, p. 1-16, 2019.

COSTA, L.; FROTA, M. P. Audiodescrição: primeiros passos. Tradução em Revista, v.11, p.1-15, 2011. Disponível em: . Acesso em: 08 jul. 2022.

CRUZ, A. M. L. A Audiodescrição na mediação de alunos com deficiência visual no ensino médio: um estudo com a disciplina de geografia. 2016. 187f. Tese (Doutorado em Informática na Educação) - Centro Interdisciplinar de Novas Tecnologias na Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2016.

DALMOLIN, M. Memória coletiva: audiodescrição em sala de aula. 2015. 106f. Dissertação (Mestrado em Memória Social) – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.

ECO, U. Lector in Fabula: a cooperação interativa nos textos narrativos. SP: Perspectiva, 1983.

FRANÇA, F. A.; BENITE, C. R. M. Ensino de Química para alunos com deficiência visual: fundamentos para a formação docente numa parceria colaborativa. In: BENITE, C. R. M.; GUIMARÃES, S. S. M.; CEDRO, W. L. Formação, Ensino e Pesquisa: novo retrato da educação em Ciências e Matemática. Ijuí: Ed. Unijuí, 2019.

FRANCO, E. P. C.; SILVA, M. C. C. C. Audiodescrição: breve passeio histórico. In: MOTTA, L.M.V.M.; ROMEU FILHO, P. Audiodescrição: transformando imagens em palavras. Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com deficiência. Governo do Estado de SP, p. 23-42, 2010.

HODSON, D. Experiments in science and science teaching. Educational Philosophy and Theory, v. 20, p. 53-66, 1988.

HOFSTEIN, A. Laboratory work, forms of. In: GUNSTONE, R.R. (Ed.). Encyclopedia of science education. Dordrecht: Springer, p.563-566, 2015.

JAKOBSON, R. Linguística e Comunicação. São Paulo: Cultrix, 1969.

JOHANSEN, J. D. Prolegomena to a semiotic theory of text interpretation. Semiótica, v. 57, n. 3/4, p. 225-288, 1985.

JOHNSTONE, A. H. The Development of chemistry teaching: A changing response to changing demand. Journal of Chemical Education, v. 70, p. 701-704, 1993.

KOEHLER, A. D. Audiodescrição: um estudo sobre o acesso às imagens por pessoas com deficiência visual no Estado do Espírito Santo. Tese - Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, 2017.

LIMA, F. J.; LIMA, R. F. O áudio-descritor em eventos educacionais e científicos: orientações para uma áudio-descrição simultânea. Revista Brasileira de Tradução Visual, p.1-48, 2013.

LURIA, A. R. et al. O desenvolvimento da escrita na criança. In: VIGOTSKI, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Tradução de Maria da Penha Villalobos. 4. ed. São Paulo: Ícone, 1988.

MANTOAN, M. T. E. Inclusão Escolar: o que é? porquê? como fazer? São Paulo: Moderna, 2003.

MARCUSCHI, L.A. Análise da conversação. São Paulo: Ática, 2003.

MICHELS, L. R. F.; SILVA, M. C. F. A audiodescrição na escola. In: CARPES, D. S. Audiodescrição: práticas e reflexões. Santa Cruz do Sul: Catarse, p. 116-123, 2016. Núcleo de Acessibilidade UFG, 2016.

MORTIMER, E. F.; MACHADO, A. H.; ROMANELLI, L. I. A proposta curricular de Química do Estado de Minas Gerais: fundamentos e pressupostos. Química Nova, v. 23, n. 2, p. 273-283, 2000.

NICOLAU, M.; ABATH, D.; LARANJEIRA, P. C.; MOSCOSO, T.; MARINHO, T.; NICOLAU, V. Comunicação e Semiótica: visão geral e introdutória à Semiótica de Peirce. Revista Eletrônica Temática, v. 8, p.1-25, 2010.

PEIRCE, C. S. Semiótica. São Paulo: Perspectiva, 2005.

PLAZA, J. Tradução Intersemiótica. São Paulo: Perspectiva, 1987.

PORTO, P. A.; VANIN, J. A. “Copo de Becker” e “Terra de Fuller”, dois erros correntes na nomenclatura Química do Brasil. Química Nova, v. 16, n. 1, p. 69-70, 1993.

PRAXEDES FILHO, P. H. L.; MAGALHÃES, C. M. Audiodescrições de pinturas são neutras? Descrição de um pequeno corpus em português via Teoria da avaliatividade. In: PONTES, V. O., CUNHA, R. B., CARVALHO, E. P.; TAVARES, M. G. G. (Org.). A tradução e suas interfaces: múltiplas perspectivas. Curitiba: CRV, p.99-130, 2015.

ROQUE, N. F.; SILVA, J. L. P. B. A linguagem química e o ensino da química orgânica. Química Nova, v. 31, n. 4, p. 921-923, 2008.

RUIZ, A. G; PALAZUELOS, G. I. El trabajo práctico integrado con la resolución

de problemas y el aprendizaje conceptual en la química de polímeros. Alambique: Didáctica de las Ciencias Experimentales, n. 39, p. 40-51, 2004.

SANCHES, I.; TEODORO, A. Da integração à inclusão escolar: cruzando perspectivas e conceitos. Revista Lusófona de Educação, v. 8, p. 63-83, 2006.

SANTAELLA, L. A teoria geral dos signos. São Paulo: Ática, 1995.

______. O que é semiótica. São Paulo: Brasiliense, 2006.

______. Semiótica aplicada. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

SEOANE, A. F. A audiodescrição do filme Corisco e Dadá. In: ARAÚJO, V. L. S.; ADERALDO, M. F. Os novos rumos da pesquisa em audiodescrição no Brasil. Curitiba: Ed. CRV, 2013.

SILVA, J. G. Desenvolvimento de um ambiente virtual para estudo sobre a representação estrutural em Química. 2007. 173f. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências) – Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.

SNYDER, J. Audio description: the visual made verbal. In: DÌAZ-CINTAS, J.D. (org.). The didactics of audiovisual translation. Amsterdam e Philadelphia: John Benjamins, p.191-198, 2008.

SOUSA, I. V. Audiodescrição: o que é? Como se faz? Revista Educação à distância e práticas educativas comunicacionais e interculturais, v. 17, n. 3, p. 34-45, 2017.

TAVARES, T. G. Um breve olhar sobre a audiodescrição. Congresso Internacional Comunicação e Consumo, 2015, São Paulo. Anais... São Paulo, Escola Superior de Propaganda e Marketing, 2015. Disponível em: < http://anais-comunicon2015.espm.br/GTs/GT4/30_GT04_Tavares.pdf> Acesso em: 08 jul. 2022.

VERONEZI, R. J. B.; DAMACENO, B. P.; FERNANDES, Y. B. Funções psicológicas superiores – origem social e natureza mediada. Revista Ciências Médicas, v. 14, n. 6, p. 537-541, 2005.

VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

______. Problemas de Psicologia General – Obras Escogidas – V. II. Madri: Visor, 1993.

WERSTCH, J. Mind as action. New York: Oxford University Press, 1998.

ZANOLLA, S. R. S. O conceito de mediação em Vigotski e Adorno. Psicologia & Sociedade, v. 24, n. 1, p. 5-14, 2012.

ZEICNHER, K. M. Action research: personal renewal and social reconstruction. Educational Action Research, v. 1, n. 2, p. 199–219, 1993.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


A Revista REPPE está cadastrada nos diretórios e indexada nas bases que seguem: 
DOAJ DIADORIM  Google Acadêmico    Latindex Sumarios

Licença Creative Commons
Revista Reppe está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
Baseado no trabalho disponível em http://uenp.edu.br/reppe

 

Revista de Produtos Educacionais e Pesquisas em Ensino - REPPE
ISSN: 2526-9542